Skip to content

A Nova Guerra Cambial

novembro 19, 2010

A XP Investimentos apresentou um ótimo panorama sobre a eminente guerra cambial. Portanto, segue um pouco da visão do mercado.

Para tentarmos entender o movimento do dólar nesses últimos meses, devemos começar contextualizando a economia mundial atual. Há anos que o dólar é a principal moeda mundial e serve como valor de reserva para investidores em momentos de aversão ao risco mesmo durante a crise americana de 2008 os investidores buscaram o dólar, baseados na certeza de que mais cedo ou mais tarde a economia americana iria se recuperar, uma vez que os Estados Unidos é o maior PIB mundial e caracteriza-se, historicamente, por apresentar grande dinamismo em recuperação a períodos de baixa atividade econômica.

No entanto, após a crise imobiliária americana que balançou as principais economias desenvolvidas, os governos destes países foram obrigados a criar estímulos econômicos para que estas economias voltassem a crescer de forma consistente. Em um primeiro momento estas políticas obtiveram êxito e conseguiram impulsionar estes países de volta ao crescimento. Mas, ao mesmo tempo em que impulso inicial não teve sustentação, colocando o crescimento de países como Estados Unidos, Japão e membros da Zona do Euro em questão, nós acompanhamos as autoridades desses países colocando ainda mais recursos no mercado. Os Estados Unidos têm um grande programa de recompra de títulos, o qual ganhou uma extensão de US$ 600 bilhões na última semana, a Zona do Euro está tendo o apoio do Banco Central Europeu nos leilões de títulos dos países, nos quais a autoridade financeira do bloco cria demanda pelos títulos quando o mercado não dá conta da oferta, e o Japão que anunciou um plano de recompra de 5 trilhões de Yens, que visam incentivar os investimentos na economia através da injeção de liquidez.

Em linhas gerais, temos os países desenvolvidos, com suas economias consolidadas, maduras e estáveis, que há anos vem sendo o destino preferido de investidores. No entanto, nesses últimos meses esses investidores vêm se deparando com economias não tão atraentes para alocar seus recursos – países que mantêm suas taxas de juros próximas a zero recompensam pouco os poupadores, e além disso, países que imprimem moeda fazem com que esse ativo por si só perca valor. Talvez os retornos mais baixos fossem válidos se esses países estivessem numa situação econômica segura e próspera, no entanto, com os fundamentos citados e perspectivas de crescimento de máximo 2% a.a ao longo dos próximos anos não sobram muitas justificativas para segurar os investidores.

A partir desse cenário que começou a se desenvolver existe grande atratividade dos países em desenvolvimento. Ainda que China, Brasil, Índia entre outros tenham diversos problemas estruturais e sociais, e que por esse motivo, são considerados investimentos de maior risco, estas foram as economias que conseguiram mostrar mais dinamismo e força para enfrentar os períodos de adversidade. Logo, os investidores se deram conta que a relação risco x retorno era muito mais atraente nesses países quando os países emergentes mostraram solidez ao retirar as suas economias da crise mais rápido que os países desenvolvidos, eles mostraram ao mercado que os riscos reais das respectivas economias estavam diminuindo, e que aliados ao retorno oferecido pelas elevadas taxas de juros e grandes perspectivas de investimentos e crescimento dos países emergentes, se tornavam oportunidades infinitamente mais atraentes.

Conseqüência? Investidores tirando seus investimentos de países desenvolvidos e atrelados ao dólar e buscando outras formas de investimentos que seriam em ativos reais como commodities, além de procurar por maiores retornos em mercados de países emergentes com alto potencial de crescimento .

Esse é o pano de fundo de um cenário que vem trazendo certa “dor de cabeça” para as economias emergentes.Diante do elevado fluxo de investimentos estrangeiros que esses países vem recebendo nos últimos meses, a demanda por suas moedas vem crescendo e conseqüentemente causa a valorização das mesmas. Um país com câmbio sobrevalorizado vê suas exportações perdendo competitividade no comércio internacional, assim como o seu mercado interno mais propício a aumentar o volume de compra de importados.

O resultado desse cenário é péssimo para as economias emergentes, e por causa disso estamos vendo autoridades de diversos países criticando os Estados Unidos por emitir moeda para incentivar a economia o que causa mais desvalorização para o dólar e um quadro ainda mais negativo para os países que dependem muito de exportações.

Esta controvérsia toda é que vem desencadeando a Guerra Cambial no mundo, uma vez que é do interesse dos Estados Unidos que eles continuem adotando todas as medidas possíveis para incentivar o crescimento da economia, como é do interesse de países como China e Brasil manter o câmbio em patamares estáveis e relativamente desvalorizados frente ao dólar para incentivar os exportadores do país assim como o desenvolvimento da produção nacional.

Um dos pontos chaves de todas essas discussões é a capacidade das autoridades monetárias de conter os efeitos do fluxo de investimentos. É muito difícil para um país ir contra o mercado, aqui no Brasil, o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, já anunciou que não pretende ir contra os movimentos de mercado, e sim suavizá-los apenas. Veremos.

XP Investimentos.

No comments yet

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: