Skip to content

Trajeto Europeu

junho 15, 2010

O desencadeamento da crise de 2008 deixou conseqüências pesadas para o bloco europeu, onde grande parte dos membros foram duramente castigados pela crise. O motivo reside na situação fiscal de suas economias.

Keynes receitou para a crise de 1929 o mesmo remédio utilizado para cura das economias recessivas na crise suprime, o gasto do governo. Contudo, a situação dos países inseridos no bloco europeu é mais complexa do que das demais economias menos interligadas.

A estrutura da UE dificulta políticas monetárias, visto que vários países adotaram a mesma moeda. Como exemplo, para um membro desvalorizar sua moeda (o euro) é necessário a desvalorização conjunta em toda a união europeia, afetando somente as transações de dentro para fora do bloco, não entre os membros.

Presume-se, assim, que o bloco é composto por países cujas economias são “semelhantes”, pois, já que foi instaurada uma certa liberdade de circulação de bens e serviços intra-grupo, a existência de uma economia mais produtiva leva ao longo prazo, a dependência dos membros menos capazes em relação a essa. Contudo o que se tem visto ao longo dos últimos anos é a ampliação gradativa da influência Alemã sobre os demais membros da UE, associada a dependência dos países membros em relação à ela. Basta visualizar os níveis de empréstimos da Alemanha para os demais países, assim como o crescimento da mesma em relação ao crescimento do bloco.

No momento de crise, deste modo, restam aos membros da UE, estéreis em relação às políticas monetárias e cambiais, fazer o melhor uso possível de sua política fiscal para salvar o país de uma profunda recessão. Como aumento dos gastos públicos e incentivos fiscais a produção/consumo. Porém, o que ocorre com o PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), sigla em inglês para definir os países com gigantescos déficits em relação ao PIB, é a incapacidade de reagir aos impactos externos.

Os PIIGS, principalmente a Grécia, estão sem armas de defesa e com autos déficits intensificadas pela crise. Diante disso, o possível desencadeamento pode ser dividido em dois caminhos tortuosos: O plano de austeridade fiscal, acompanhado de empréstimos externos, ou, o abandono do euro, para assim desvalorizar a moeda e tornar as exportações mais atrativas.

O caso Grego é aparentemente o mais complicado, além de ter uma dívida muito maior que suas capacidades de pagamento, relevou ocultar dados de resultados ainda piores do que o divulgado. Contudo, a via escolhida pela Grécia foi a de aceitar o empréstimo vindo do BCE (banco central europeu) e do FMI (fundo monetário internacional), se sujeitando a sacrifícios como corte dos gastos com salários, acompanhado de conseqüências recessivas.

As expectativas de calote ainda colocam temor no mercado, restringindo as vias de empréstimo para a Grécia, mas, apesar disso, o BCE está fazendo vista grossa ao risco encorrido, almejando prevenir maiores estragos futuros. O BCE, aliás, tem seus recursos oriundos dos países superavitários do bloco, em particular a Alemanha. Como Paul Krugman sabiamente coloca, a Alemanha está assumindo parcialmente a dívida Grega sem muitas garantias de pagamento, no entanto, a Alemanha é outro país, não um estado de uma nação composta pelos dois. Ou seja, uma nação está suportando a dívida de outra.

Encerro com os pontos discutidos por Martin Wolf. Ele demonstra que os problemas gregos podem aparecer em outros países, logo, escolhido o não abandono do euro, a solução para o bloco se ramifica novamente em outras duas vias, o calote das dívidas ou a maior integração do bloco, com uma espécie de união fiscal. Os prováveis resultados de ambos os cursos são ruins, o calote pode debilitar relações econômicas externas, já a integração fiscal passa pelos problemas abordados anteriormente aqui: a Alemanha(que já detém certo domínio sobre o bloco europeu) junto dos demais países centrais, terão apenas o mercado externo como escorador dos superávits. No aspecto sociológico, as divergências causadas pela proximidade dos países pode gerar tensão social, algo que ainda está surgindo e pode se agravar.

One Comment leave one →
  1. junho 16, 2010 11:56

    Gostaria de convida-lo ao meu blog.

    Atenciosamente, O Analista.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: