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Discriminação de preços no setor de transportes

novembro 25, 2009

Planejamento Urbano - Chicago

 Depois de um certo tempo avaliando os temas publicados no site, tornou-se perceptível a escassez de conteúdo sobre a microeconomia, portanto, trouxe um caso interessante: como as empresas de transporte definem o seu preço buscando a maximização dos lucros, e como nós consumidores nos comportamos diante dessas táticas. Para isso trago uma resenha escrita por mim em parceria com a Josiane Nardelly de um artigo sobre a discriminação de preços adotada no setor de transportes. Aconselho a leitura completa, disponível também nesse link e do artigo resenhado disponível no site da UFP.  Confira:  

O trabalho Formas de Descriminação De Preços: O Caso dos Transportes tem como objetivo demonstrar a motivação do uso da discriminação de preços e analisar as alternativas utilizadas no setor de transportes urbanos, regionais e internacionais. Os autores, Graça Costa Mestre Assistente e Nuno Carvalho Mestre em Vias da Comunicação, ambos pela Universidade Fernando Pessoa UFP em Portugal, iniciam o artigo fazendo uma abordagem sobre a estrutura do setor de transporte e suas implicâncias econômicas. Graça e Nuno discorrem sobre as políticas de preço e seu impacto no bem-estar do consumidor, posteriormente abordam o retorno do lucro de acordo com cada estratégia adotada, utilizando táticas concorrenciais.

O trabalho tem como foco principal as maneiras de segmentação do mercado para a discriminação de preços no setor de transporte, portanto, ao iniciar a discussão sobre a discriminação de preços, eles identificaram a necessidade de definir quais os segmentos de mercado são passíveis do uso dessa prática. Isso exige do participante do mercado um estudo detalhado da demanda para a definição das táticas de captura de excedente. Algumas das formas citadas são: cobrança por hora, dia da semana, base geográfica, tipo de passageiro e qualidade. Diante disso, tornou-se perceptível no estudo que a empresa tem a opção de dois vieses, mapear a receita ou otimizar a utilização dos seus recursos. O trabalho determina que um dos métodos de maximização da receita é a segmentação do mercado de transporte, destinado a prática de preços diferenciados visando à captura do excedente. Em frente a essa determinação, foi necessário então, identificar qual parâmetro explica a diferenciação de valor, por exemplo:


• Contexto Pessoal: classe sócio-econômica, rendimento disponível, profissão.
• Contexto Circunstancial: em trabalho, em férias ou em urgência.

Posteriormente, foi necessário identificar as variáveis de segmentação que refletissem os parâmetros identificados. Elas foram divididas em duas categorias, sendo as empresas que segmentam clientes do mesmo serviço e empresas que segmentam clientes de serviços diferentes.


Segmentação do mesmo serviço:


• Escalão Etário (Jovem/Adulto/3ª Idade) – Diferenciando na renda disponível e urgência.
• Flexibilidade de Marcação – Diferenciando na profissão, rendimento disponível, urgência, estilo de vida.

Segmentação em serviços distintos:


• Conforto (Classe Econômica/Executiva/1ª Classe) – Diferenciação na Classe Sócio-Econômica e no rendimento disponível.
• Rapidez (Direto/Com Escalas) – Diferenciação na urgência e renda disponível.

De acordo com os autores, os meios para otimização do uso dos recursos em empresas de transporte é mais complexo, pois, os seus ciclos apresentam uma grande variação de procura (varia, por exemplo, entre horários de pico e horários de queda), portanto, não foi usada na pesquisa. Após essa averiguação, Graça e Nuno afirmam que uma das razões para a existência da discriminação de preços reside no fato de, no setor de transportes, o custo da infra-estrutura ser muito elevado e ter custo marginal baixo. Os autores, então, dão exemplos de discriminação de preços em transportes urbanos (ônibus/metrô) e transportes de longa distância (comboio/avião). No caso dos transportes urbanos eles afirmam que constitui um caso a parte em termos de regulamentação, pois contribuem para o funcionamento do transporte para o público em geral, portanto, são fortemente regulados pelo Estado. Em parte, não tem como objetivo dar lucro, pois, há casos em que o próprio Estado é o proprietário da empresa. É identificado no trabalho que a tarifação dentro dos veículos é mais cara, porém, mais rápida, por outro lado, a opção de pagamento por passes tem a desvantagem de não poder registrar a quantidade de pessoas a bordo, informação considerada importante para a gestão do transporte. São citados como formas de segmentação adotadas: pagamento a bordo, pré-pagamento imediatamente antes da viagem, pagamento na saída ou gratuito. Dessa forma, foram separados conforme a relação abaixo:


• Segmentação por tipo de cliente – Estudantes/Jovens/Crianças/3ª Idade/Reformados/Grupos.
• Segmentação por período – Fim de semana/Feriados/Conforme o horário/Turismo
• Segmentação por modo de transporte – Bilhetes/Passes/Bilhetes combinados para diferentes empresas do mesmo modo de transporte.

Na discriminação de Tarifas em Transportes de Média e Longa Distância, o Estudo identifica que o mercado de aviação e ferrovias são setores que possibilitam um bom retorno com a prática da discriminação de preços, demonstrando graficamente o aumento da captura do excedente através da prática. Nesse setor, os autores subdividiram a segmentação de preços em três faixas a seguir.


Segmentação por tipo de cliente

São citados como exemplo: gestores, dirigentes do estado, em férias, turismo vindo do estrangeiro, estudantes e grupos. O estudo afirma que, para conhecer as características próprias desses tipos de cliente é necessário levantar uma grande quantidade de varáveis que influencia a sua demanda, além disso, alerta que o mercado está em constante mutação, portanto, é imprescindível a atenção às mudanças.


Segmentação por qualidade do serviço

Área por Pessoa, duração da viagem, tipo de alimentação fornecido, diferentes modos de check-in, decoração, facilidades de parcelamento, possibilidade de uso do computador portátil.


Segmentação por períodos

Visa diminuir os horários de pico que são identificados: férias e práticas de descontos em horas de menor procura. De acordo com os autores, no setor de transporte à empresa que não adota tais táticas corre sérios riscos, como o de dar abertura a entrada de novos concorrentes, induzirem a transferência de clientes para outros modos de transporte, insatisfação dos clientes, prejuízos a imagem da empresa, todos eles gerando conseqüentemente diminuição da demanda.

Ao encerrar o trabalho, os autores concluíram que cada empresa discrimina os preços de acordo com a disposição de cada consumidor, essa discriminação permite aos fornecedores o aumento do lucro e, também, aumentar o bem-estar do consumidor que estará pagando um valor mais próximo do que ele está disposto. Essa prática permite atrair mais passageiros como é o caso do transporte aéreo, que oferece uma série de serviços que segmentam o mercado e capturam potenciais viajantes. Graça e Nuno, no entanto, alertam para os prejuízos da intervenção governamental no financiamento das empresas de transporte, que causa distorções nos preços e gera um processo de trade-off onde ou se valoriza a eficiência ou a equidade.

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