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Rússia, recente trajetória econômica internacional e previsão para o pós-crise.

novembro 6, 2009

Na sua recente transição de um modelo econômico soviético para o capitalismo, nos últimos 20 anos a Rússia está tentando mudar a sua estrutura de propriedade e explorar sua riqueza natural para aumentar sua participação no mercado mundial. As dificuldades e conseqüências dessa transição são enormes, como desigualdade social, produção pouco competitiva e geração de hostilidade nas relações internacionais. Baseada nessa história que a Rússia desenhou o seu atual cenário econômico, descrito a seguir: 

Visão Econômica - Praça Vermelha - Moscou

Praça Vermelha - Moscou

Valor do PIB

– Agricultura: 5%

– Indústria de transformação: 19%

– Serviços: 55,8%(onde está 60,8% da população)

– Distribuição de energia elétrica e construção: 20,2%

As transações externas representam mais da metade do PIB, sendo que as exportações são concentradas em poucos produtos, com 64,7% de produtos energéticos(petróleo e gás). Apesar das exportações serem gradativamente substituídas pela de seus derivados, a variação das reservas é ainda extremamente dependente dos preços do commoditie. Esses dados realçam a dependência econômica do país em relação ao cenário externo, mas o risco é ainda maior se apontado o destino dos recursos por ela gerado:

Segue as palavras da Lenina Pomeranz(USP) no Seminário Trajetórias de Desenvolvimento organizado pela CEPAL/IPEA: “Os recursos derivados destas exportações deram origem ao Fundo de Estabilização, em meados de 2007, dividido entre o Fundo de Reserva, que serve basicamente para a cobertura do orçamento federal e o Fundo Nacional de Bem Estar, para financiamento de projetos de desenvolvimento e da Previdência Social”.

Em contraparte a entrada de capital estrangeiro é, em grande parte, devido ao endividamento externo de empresas e, principalmente, bancos. Setor que representa, também, alto nível de concentração, por existirem poucos bancos que detém a maior parte dos ativos financeiros do país.

Rússia perante a crise-mundial

Início da crise em 2008

O impacto inicial da crise incidiu no mercado acionário, principalmente nas empresas do setor de mineração. Como exemplo a maior delas, a Mechel, teve queda de 68% na Bolsa de Nova York. Isso se deve ao fato de Vladmir Putin ter acusado as empresas mineradoras de vender para o mercado externo por mais barato que o interno, gerando inflação e evasão de impostos.

Diante da Guerra da Georgia, conflito visivelmente de interesse econômico, principalmente em benefício dos ganhos com petróleo, o montante de investimentos estrangeiros caiu drasticamente, fazendo cair 60% dos índices RTS e MICEX. Esse baque sedimentou ainda mais a queda das cotações das empresas Russas.

Em decorrência da crise, o preço do barril de petróleo e gás subiram a níveis exorbitantes, impulsionando o crescimento do país em 2008(superior a 7% a.a).

Ações do Governo

Aumentou as linhas de créditos para empresas endividadas com o exterior

Redução dos compulsórios

Aumento a garantia dos depósitos pessoais

Aplicou recursos para a manutenção da cotação do Rublo

 
 

 

Visão Econômica - Sede do Parlamento Russo

Sede do Parlamento Russo

Extensão da crise em 2009

A situação ficou alarmante a partir de janeiro de 2009. No início do ano, economia foi bruscamente afetada pela recente queda da cotação do barril de petróleo, acompanhada da queda de 12,3% no índice de produção dos principais setores econômicos do país.

Conforme Lenina Pomeranz da USP “As importações também estão em queda, mas em nível menor do que as exportações: Caíram para 38,1 bilhões de US$, 36,7%. O Saldo em NTC caiu para 11,1 bilhões de US$. As reservas internacionais caíram para 404,17 bilhões de US$ em 01/06/09, do pico de 476,4 bilhões de US$ em 2007 e 27,1 bilhões de US$ em 2008. Os saldos dos Fundos de Reserva caíram de 64,645 bilhões de US$ em 05/09/09, para 44.886 bilhões de US$ em 29/05/09.”

O desemprego cresceu, com destaque para as pequenas cidades que dependiam das poucas industrias exportadoras que nela residiam, a situação ainda ficou mais grave quando apontaram a queda de 10,9% do salário real em abril. Ficou claro a partir de então, que a situação tomou proporções maiores, afetando o lado social.

Ações do Governo

– Curto Prazo

Aumento do crédito as empresas e pessoas físicas

Levantamento de possibilidades de descentralização de decisões para o nível local, visando o combate mais focado nos problemas de localizados, porém, a proposta ainda encontra dificuldades de aprovação, pois mudaria a atual organização do poder, o que levaria a um nível mais próximo do democrático.

Políticas para a criação de emprego e aumento do seguro desemprego.

– Plano de Longo Prazo

Eles incluem reformas esperadas por décadas como:

Melhoria tecnológica

Desconcentrar a exportação

Qualificação da mão de obra

Aumento de infra-estrutura

Melhorar o setor financeiro

Estimular o consumo interno

Rússia Pós Crise

Como jamais realizado antes, a Rússia sistematizou um plano de longo prazo que combaterá os problemas econômicos enraizados em sua história. Porém, essas reformas exigem muito das reservas do país, riqueza que ela ainda não dispões para o plano. Lembrando que os problemas enfrentados vão além dos econômicos, como os conflitos que dependem, também, de melhores ações diplomáticas. A Rússia tem capacidade de manter o crescimento apresentado no início de 2008, porém, resta uma questão ainda não respondida: Será ela capaz de implantar um plano neo-liberal baseado na competição? Economistas apontam que ela será possivelmente um destaque mundial, por isso mesmo incluída no BRIC. É o que o Russos também esperam. Mais a respeito pode ser visto nesse trabalho realizado em conjunto com as colegas Danielle Figueiredo Rocha, Deire Adelâne Xavier e Josiane Nardelly.

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