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Acordar com o pé direito

agosto 13, 2009

Hoje de manhã, ao realizar o tour matutino pelos sites de divulgação econômica, notei que há uma série de notícias positivas sobre o clima econômico dos próximos meses. O UOL Economia divulgou a queda nas taxas brasileiras de desemprego. Mesmo acompanhado da queda da massa salarial, é um ótimo indicador de recuperação da atividade econômica. Outra notícia, é a avaliação positiva do Federal Reserve (Fed) e Banco Central Europeu (BCE) sobre a economia mundial. De acordo com as duas instituições, as previsões até o final do ano são de ajustes na economia global, para uma recuperação do crescimento em 2010.

A este respeito, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, trás conclusões da reunião na última quarta, com o atual secretário de Tesouro americano, Timothy Geithner. Segue trecho da entrevista com o ministro, divulgada na IstoÉ Dinheiro:

DINHEIRO – Como foi a conversa com Geithner?

GUIDO MANTEGA – Boa. Fizemos uma avaliação da economia mundial e chegamos à conclusão que a crise, na sua fase mais aguda, está superada.

DINHEIRO – E qual é a agenda póscrise?

MANTEGA – Concordamos sobre a importância de reforçar as políticas anticíclicas, porque tem alguns analistas dizendo que devíamos, já, parar de fazer política anticíclica, pensar nas consequências das políticas, nos prejuízos. Nós chegamos à conclusão que é preciso, sim, continuar fazendo, porque ainda não conseguimos resolver todos os problemas causados pela crise.

DINHEIRO – E como é a política anticíclica, neste momento de retomada da atividade?

MANTEGA – Ela tem que ser dosada de acordo com cada país. Não é o mesmo remédio para todos, porque a doença se manifesta de forma diferenciada. Os americanos ainda têm que resolver o problema do setor habitacional, as construções comerciais que estão encalhadas, ainda têm um longo caminho a percorrer. Nós não temos este problema e vamos sair mais rapidamente e mais fortalecidos. Discutimos a reunião do G-20, daqui a um mês, e a necessidade de preparar uma agenda para o encontro. As questões mais importantes são a reforma dos mecanismos internacionais. É preciso fortalecer o Fundo Monetário e o Banco Mundial para que eles tenham mais mecanismos de ação, e maior participação, em voto, dos países emergentes.

DINHEIRO – Como o Brasil vai lidar com questões como câmbio, desequilíbrio fiscal e comércio mundial?

MANTEGA – O Brasil conseguiu manter um mercado consumidor forte e com isso a nossa taxa de crescimento não caiu e vai ser estimulada justamente por isso. Vai continuar a dificuldade em aumentar as exportações porque os outros países não melhoraram. É um segmento que vai continuar mais sofrido.

DINHEIRO – O protecionismo ainda é um risco?

MANTEGA – De fato, nós conseguimos nas reuniões anteriores evitar que os países enveredassem por uma política protecionista. Manteve-se o espírito de cooperação, a abertura dos mercados. Mas, inevitavelmente, os países vão ter que se voltar mais para seus mercados internos. Eles disseram que os Estados Unidos não vão ser mais o grande consumidor do mundo. Não podem continuar tendo um déficit de transações correntes. Eles vão tentar importar menos e exportar mais. Significa que a China vai procurar direcionar sua produção mais para o mercado interno, o Brasil, a Índia também. Quem tem mercado interno ficará numa situação mais favorável do que quem não tem.

DINHEIRO – A política anticíclica se deu muito com a desoneração de impostos e isso já tem prazo para acabar. Como vai ser esta nova fase na saída da crise?

MANTEGA – Fizemos uma parte da política que é monetária e a parte fiscal vai sendo graduada de acordo com a necessidade. Não é correto dizer que esgotamos a política fiscal. Recentemente, baixamos taxas de juros para investimento, com equalização do Tesouro. Continuaremos fazendo política fiscal enquanto for necessário.

A perspectiva após a notícia é que diante dos demais países, o Brasil saiu pouco abalado. O nosso mercado interno será, então, o salvador da economia nacional.

Enfim, a frase que ronda a mente de economistas que assistiram a década de 80:

Quem diria ein?

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