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O Spread no Brasil

julho 8, 2009

No mercado financeiro tradicional, onde os recursos excedentes da economia (poupança) são direcionados para o financiamento de empresas e de novos projetos (investimentos), o dinheiro depositado em bancos por poupadores é utilizado pelas instituições financeiras para financiar alguns setores da economia que precisam de recursos. Por essa intermediação, os bancos cobram do tomador do empréstimo uma taxa – spread -, a título de remuneração, para cobrir seus custos operacionais e o risco da operação. Quanto maior for o risco de o banco não receber de volta o dinheiro, maior será a taxa.

Obs: Spread também é uma definição usada para títulos e outras transações, como quando da compra e venda de títulos do governo, ações ou até mesmo dívidas hipotecárias americanas. Por exemplo, se comprarmos uma ação na bolsa de valores a 10 centavos e a vendermos a 1 real, temos um spread de 0,90 centavos. Grande parte do lucro obtido pelos corretores de títulos advém desta diferença.

O spread brasileiro é um dos maiores do mundo, reflexo dos altos juros dos empréstimos e consequente maximizador de lucratividade para o setor bancário nacional.

 

Brasil primeiro colocado mundial, com as taxas mais altas. - Fonte: Canal Globo News

Brasil primeiro colocado mundial, com as taxas mais altas. - Fonte: Canal Globo News

 

Mesmo com a queda recente dos depósitos compulsórios – obrigação de depósito dos bancos comerciais nos cofres do governo, visando controlar a quantidade da poupança que será repassada para os empréstimos e, permitindo assim, o controle sobre a circulação da moeda – o valor cobrado nas taxas pouco fora influenciada,  impactando negativamente no resultado da política monetária de combate a crise. Essa foi uma demonstração da força autônoma das corporações bancárias em relação as imposições das políticas macroeconômicas, motivando a demissão do presidente do BB e como justificativa a desobediência aos interesses públicos(em contraste ao fato da empresa ser uma S.A listada na bolsa de valores). A intenção do governo é clara, abaixando o spread do BB as leis de mercado forçarão os bancos concorrentes a abaixar o juros para continuar nos negócios. Contudo, desde março até o momento nenhuma medida relevante foi tomada, diminuindo as esperanças dos otimistas que, como eu, esperavam mudanças no cenário.

Então, qual a solução? No portal Exame, Francine De Lorenzo discorreu a respeito:

Impor aos bancos a cobrança de juros menores, na opinião dos analistas, cria uma situação artificial, que não se sustenta a longo prazo. Para que o país tenha de fato taxas mais baixas seria necessário reformular as bases que compõem o spread bancário. De acordo com o Banco Central, o spread é dividido da seguinte forma: 37,4% referem-se à inadimplência, 13,5% ao custo administrativo, 3,6% ao compulsório, 8,1% aos tributos e taxas, 10,5% aos impostos diretos e 27% a outros componentes, incluindo o lucro do banco e os subsídios ao crédito direcionado.

Já que a inadimplência é o fator de maior peso no spread, poderia ser um bom ponto de partida. Não é de hoje que especialistas destacam as vantagens da criação de um cadastro positivo, que beneficiaria com taxas menores quem sempre pagou seus compromissos em dia, mas o projeto é discutido há anos sem nunca ter sido levado a votação em plenário na Câmara e no Senado. “O que acontece no Brasil é exatamente o contrário do que deveria ser. Há uma proteção aos inadimplentes. Quantas vezes já não vimos perdão de dívidas?”, diz Sachsida.

Outras duas mudanças necessárias seriam a redução dos tributos incidentes sobre as operações de crédito e aumento da concorrência entre os bancos. Nos últimos anos, os movimentos de fusões e aquisições provocaram uma forte concentração bancária, colocando 86% do mercado nas mãos de apenas 20 bancos, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Enquanto o Brasil contava com 156 instituições bancárias em 2007, a Alemanha contabilizava 2.130 e os Estados Unidos, 7.282.

Para aumentar a concorrência, avalia Sachsida, o governo teria que afrouxar a regulamentação do setor, que hoje favorece os grandes bancos. “É muito difícil cumprir todas as exigências do Banco Central. É por isso que há poucas cooperativas de crédito no Brasil”, diz.

Para os tomadores de empréstimos, resta a escolha das melhores taxas de acordo com as suas necessidades. Para isso, disponibilizo a lista dos Spreads praticados no Brasil(página do BC).
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