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Visão de economista

junho 15, 2009

Recebi hoje de manhã, uma leitura interessante, de autoria do Ederson Passos, a respeito da sua convivência pessoal com as teorias econômicas e o posicionamento em relação a elas. Vale a pena ler. Além do mais, representa fielmente o que eu tinha em mente ao criar o nome do site.

 

Visão de economista

Visão de economista

 

 Logo abaixo, o texto:

Prezados leitores, permitam-me discorrer sobre o que seria o “eco”, todavia focando essa digressão acerca da discussão travada no ambiente acadêmico da ciência econômica.  O eco está representado pela repetição sucessiva de terminações vocabulares iguais, que produzem sentido cacofônico em seu expectador e, assim, assimila-se por osmose dialética.

Como uma alma em busca de convicções políticas e cientificas e talhado por um ambiente suburbano hostil, pude perceber logo cedo, a importância de posicionar-me sobre a realidade dos fatos e da configuração das formas. Mal preparado educacionalmente pelo  Ensino Superior Privado – a válvula para a busca das realizações –  e angustiado por isso, agarrei-me à Ciência Econômica, para fazer dela o caminho mais curto entre meus anseios e os resultados esperados, muito embora considere uma inocência raciocinar dessa maneira.

As esperanças perdidas foram resgatas ao ser evangelizado pelas principais teorias econômicas em voga, entretanto, um encontro específico permitiu-me reconstruir um mundo de argumentos em formação. Conhecer o burguês John Maynard Keynes, inicialmente, foi entediante porque no almoço em curso, não foi possível reproduzir debates e discutir suas idéias, todavia, a partir de então nos encontrávamos com freqüência na humilde e parca biblioteca da faculdade. Lord Keynes era brilhante, sabia argumentar temas complexos e me apresentava suas explicações animadoras e que traziam alivio ao meu passado sofrível.  Não era excessivo otimista, nem poético, mas incisivo em suas explicações.

O preço óbvio por essa evangelização foi o abandono acadêmico, sobretudo pela elite de pensadores do último quarto do século. Tantos outros professores me procuraram espantados por este novo relacionamento inconteste. Inclusive marcaram um chá da tarde, no núcleo de práticas econômicas, com nada mais, nada menos, que dois pesos importantes da escola clássica, os mestres Adam Smith e David Ricardo. Emocionalmente encantadores, otimistas e indissolúveis figuras. Argumentos sedutores de um mundo simplista e sem falhas, carregados por um número elevado de pressupostos, hipóteses e partículas apassivadoras. A verdade, é que, sempre traí minha formação keynesiana ao utilizar o elevado número de condições desses autores, sobretudo, como ministro da microeconomia.

Mas, agora, percorrido o pânico e as desilusões trazidas pela Crise Econômica mundial, em sua face, uma crise neoliberal, sinto-me revigorado. Renascido de um mundo que incessantemente produziu falhas, desigualdades e hierarquia no processo de inserção internacional das economias. Veremos o novo cidadão Keynes e suas idéias revigoradas; o debate advogará por um novo Estado, por novas políticas e por novos economistas. Já não verei no espelho, um mamute da economia, contudo, confesso escutar vozes e murmúrios de uma geração  de pensadores agora, traídos e abandonados pelo mágico mundo das hipóteses simplistas.

Bem-vindos ao novo mundo!

Após ler o texto e trocarmos e-mail, senti curiosidade sobre o universo acadêmico em economia. A este respeito, e pegando carona no que já foi citado no artigo “Nacionalista X Cosmopolita”, segue abaixo parte da discussão:

Evandro:

Devido ao fato de você abraçar o lado Keynesiano e ser contestado pelos seus colegas acadêmicos, você se considera nacionalista? Pelo que vejo do perfil dos professores do UNIFEMM, acredito que, predomina essa vertente, e consequentemente uma aprovação das idéias de Keynes, estou certo?

Ederson:

“A sua percepção está correta quanto aos professores. De fato, parecem defender uma linha keynesiana.

Mas na prática eu sou um pós-keynesiano mesmo. Acredito no Estado inteligente, regulador, moderador e que, detém a regra do jogo. Não sigo a linha nacionalista cega, mas o planejamento econômico deve revelar estratégia de curto, médio e longo prazo. Não me sinto colonizado.”

Após escrever este artigo, fico mais claro para mim o quanto é essencial a criação de um seguimento teórico bem posicionado em relação a conjuntura vigente, afinal, é indispensável uma base para o sustento do conhecimento adquirido. Caso contrário, não há fundamento argumentativo em um debate econômico. Já tenho o meu posicionamento, e busco aprofundar ainda mais os alicerces do mesmo, afinal ficar em cima do muro em economia é sinônimo de fragilidade teórica.

2 Comentários leave one →
  1. americano70e10 permalink
    junho 15, 2009 17:28

    “ficar em cima do muro em economia é sinônimo de fragilidade teórica”

    Eu acho que isso vale para várias outras coisas, não só economia.

    Belo post.
    E não falo isso só porque você é o único cara que comenta nos meus. Hehe…

  2. setembro 2, 2009 06:44

    This site rocks!

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