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O modelo Fleuriet e a dinâmica da gestão financeira.

agosto 22, 2011

Nos últimos dias li artigos a respeito do modelo Fleuriet como instrumento de gestão financeira das empresas. Em meu entendimento é uma forma muito prática e eficaz de se organizar as informações contábeis para tomada de decisão. Portanto, trago um pouco da definição desse modelo e de como aplicá-lo.

No modelo Fleuriet as demonstrações financeiras como balanço patrimonial e a demonstração de resultado de exercício são utilizadas para se extrair informações aplicadas nas variáveis do modelo. As informações extraídas, então, são trabalhadas para se encontrar: necessidade de capital de giro (NCG), capital de giro (CG) e saldo em tesouraria (T). Esses são indicadores que, empregados na análise gerencial, servem como avaliação da performance financeira da empresa, o foco do modelo.

Para se empregar o modelo, é comumente sugerido a reclassificação das contas dos demonstrativos contábeis, promovendo uma adequação das sub-contas de acordo com o desenvolvimento das atividades. Essa reclassificação permite uma avaliação do ciclo financeiro da empresa com maior clareza, possibilitando a tomada de decisão financeira de acordo com o ciclo operacional. Comumente, diz-se que o ciclo financeiro é iniciado no desembolso para a compra dos insumos e finaliza no recebimento dos fornecedores, enquanto o operacional inicia-se já na compra. Contudo, muito da estrutura prática dos dois ciclos se comporta de acordo com o setor de atividade e poder de barganha da empresa, portanto, deve-se considerar as especificidades. Em suma, o ciclo financeiro positivo indica a necessidade de recursos adicionais para o desenvolvimento das atividades operacionais, já o negativo revela a disponibilidade de recursos para novas aplicações.

O modelo Fleuriet visa propor embasamento claro para o conjunto de decisões financeiras, trabalhando, assim, a redução da disparidade entre os dois ciclos. Nesse sentido, a literatura sugere a divisão do mesmo em três sub-ciclos. Ciclo de investimento, o qual é o período em que a empresa adéqua sua capacidade de produção em relação ao nível de atividade a ser empreendido, ciclo de exploração, o qual é a necessidade de recursos para a atividade empreendida, variando de acordo o nível de atividade e, por último, o ciclo de operações financeiras, relacionado à estrutura de recursos para o ciclo de investimento e operação, compreendendo operação de capital (longo prazo) e tesouraria (curto prazo).

A reclassificação das contas do BP e DRE segue a divisão pelo tempo e níveis de decisão empresarial (estratégico, operacional e financeiro). Os passivos e ativos circulantes são subdivididos em cíclicos (operacional) e erráticos (financeiros). Já o permanente é definido como a variável estratégica do demonstrativo.

Resumidamente, as contas cíclicas são aquelas relacionadas com o nível de atividade da empresa, caso a empresa produza mais ou menos essa variação terá impacto direto nessas contas, tipicamente operacionais. Em contrapartida, as contas permanentes e não cíclicas são aquelas de longo prazo, voltadas a estratégia da empresa, portanto, o nível de produção atual pode não ter vínculo algum com essas contas. Por fim, as contas financeiras ou erráticas, são aquelas ligadas a decisões financeiras as quais não guardam relação com a estratégia ou nível de atividade da empresa, chamadas de contas de tesouraria. Essa reclassificação permite, então, mensurar as variáveis do modelo funcional de Fleuriet, como o NCG, CG e T.

A necessidade de capital de giro (NCG) compreende a diferença entre as contas cíclicas do ativo e passivo, ou seja, são intimamente ligadas ao ciclo financeiro da empresa. Nesse sentido, a necessidade de capital de giro reflete a falta de uniformidade entre o ciclo operacional e financeiro, portanto, as reservas podem ser uma estratégia para adequar os dois ciclos, seja em estoques, em duplicatas ou outro ativo com conversão em semelhante liquidez. A NCG positiva é, basicamente, o reflexo da necessidade de mais capital próprio ou de terceiros para a continuidade da atividade, já a NCG negativa reflete a sobra de recursos para a execução da atividade.

O capital de giro (CG) mede o capital aplicado em investimentos, composto, em parte, pela NCG. Sua avaliação ocorre através do ativo permanente e o passivo permanente, seu resultado pode ser interpretado das seguintes formas: Positivo indica a utilização de recursos estáveis para a NCG, visto que a fonte de recursos de longo prazo. Já o negativo indica que a empresa tem recursos de curto prazo financiando os de longo prazo, quanto maior o índice, maior o risco de insolvência da empresa.

O saldo em tesouraria (T) é mensurado a partir do confronto das contas erradicas, indicando a gestão de curto prazo da empresa. Altamente operacional, serve como referência nas decisões de curto prazo dos gestores.

Conceitualmente, essas definições formam o modelo Fleuriet, cuja capacidade ainda é pouca explorada no meio empresarial, lógico, expor sua utilização na prática requer um estudo detalhado de caso, nesse sentido, aconselho a busca por artigos que propões tal objetivo. De toda a forma, o meu propósito é elucidar o que é esse modelo, contudo, muito tem para se falar sobre ele, portanto, sugiro aos interessados a leitura do artigo do professor Antônio Dias (UFMG), publicado aqui. Acredito que esse conhecimento é fundamental para os gestores e deve ser amplamente disseminado, pois, infelizmente, ainda há muitas decisões financeiras pouco alinhadas ao ciclo operacional da empresa..

Econometria Financeira e o Risco

maio 16, 2011

No período em que estive atuando profissionalmente com investimentos financeiros, obtive a oportunidade de conhecer com clareza as ferramentas adotadas pelos analistas, essas que são utilizadas para determinar o parecer sobre o investimento avaliado. Especificamente em renda variável, as analises abrangem o estudo do comportamento passado das séries temporais de retorno e o estudo dos fundamentos do ativo em questão. Mais a respeito pode ser lido em postagens anteriores.

Sobre a categoria de análise gráfica, em que a mesma aborda o comportamento passado das séries para uma previsão futura de retorno, existe uma imensa diversidade de técnicas recomendadas por livros da área(dentre elas algumas que eu ainda desconheço e domino). O critério de uso já é algo arbitrário, adotado pelos analistas conforme experiência de acerto e erro sobre as mesmas. Esse é o meio adotado pelos profissionais até o momento, já que ainda não há embasamento científico claro para uma plena certeza de qual é o método mais assertivo para a determinação do comportamento futuro de retornos. A perspectiva de que haja um avanço sobre esse ponto é ainda nebulosa, visto que a própria divulgação de uma técnica mais eficaz de previsão do retorno gera um comportamento tendencioso que a inviabiliza, ou seja, um paradoxo. Essa é uma opinião unânime compartilhada por vários mestres e doutores que conheço e conversei a respeito.

Contudo, existe um meio de se fazer uma escolha não arbitrária baseada em séries financeiras. A alternativa em questão é modelar as séries buscando retirar delas não apenas uma expectativa sobre retornos futuros, mas, o risco embutido naquele investimento. Ao contrário das diversas técnicas gráficas de retorno em que alguns casos são não complementares, as modelagens do risco são direcionadas para a sua especificidade de aplicação, ou seja, existe a técnica adequada para cada caso. Esse benefício já se apresenta no momento de escolha da ferramenta de avaliação de risco, ao passo em que os resultados das mesmas podem ser conflitados com a perspectiva auferida pela análise de retorno da técnica gráfica.

Na graduação naveguei sobre esse tema ao avaliar o comportamento das séries financeiras do ponto de vista do risco, focando na volatilidade das séries temporais. Me deparei com certas dificuldades, como o fato de haver riscos advindos de fontes externas, como o risco de mercado, operacional ou estratégico. Esses riscos são incluidas nas análises ao se medir coeficientes de sensibilidade a impactos externos.

O fato é: existem várias técnicas gráficas baseadas em figuras geométrica, períodos e indicadores diferentes. Contudo, uma boa modelagem econométrica VAR, GARCH ou afins, são formas consistentes de se menssurar o risco do ativo. Critério prioritário na escolha do investimento. Vale a pena dar atenção a esses modelos, e diminuir o peso dado ao resultado indicado pelas ferramentas técnicas.

Inflação Alimentos em Sete Lagoas – Abril

maio 5, 2011

Conforme divulgado pelo NEES (Núcleo de Estudos Econômicos e Sociais), segue boletim das cestas de consumo familiar e restrito de Sete Lagoas. Tais cestas tiveram variação de 0,12% e -5,17% respectivamente. As quedas nos preços de produtos como tomate e açúcar foram observadas também em Belo Horizonte pelo IPEAD.

Sempre um Papo – Sardenberg‏

abril 26, 2011

Para quem mora em Sete Lagoas, é um otimo evento para se participar no próximo final de semana.

O Sempre Um Papo retoma as atividades do projeto em Sete Lagoas trazendo o jornalista e âncora da CBN, Carlos Alberto Sardenberg, neste sábado, 30/04, às 11h, no Auditório Dr. Marcelo Vianna, com entrada gratuita. No evento, ele debate com o público o tema “Economia em Cidades em Desenvolvimento”, sob a mediação do idealizador do Sempre um Papo, Afonso Borges.

No sentido de estimular o hábito da leitura, estará a venda pelo preço promocional de R$ 5,00, o livro “Neoliberal, não. Liberal – Para entender o Brasil de Hoje e de Amanhã” (Globo). Segundo Sardenberg, o Brasil tem virtudes, como a estabilidade macroeconômica, tem sorte, mesmo frente ao crescimento da China. Mas o grande desafio é como crescer. “E o governo anda fazendo algumas bobagens”, brinca.

Carlos Alberto Sardenberg é jornalista há mais de 40 anos. É âncora da CBN, comentarista econômico do Jornal da Globo e do Jornal das Dez da Globonews. Já trabalhou na Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil, Veja e Estadão. Publicou, entre outros, “Aventura e agonia nos bastidores do Cruzado”, “Jogo aberto” e “O Assunto é Bolsa”.

Assessoria de Comunicação e Marketing
Centro Universitário de Sete Lagoas – UNIFEMM
(31) 2106-2134

O Caso Japonês e o Brasil.

abril 10, 2011

Devido à divulgada calamidade ocorrida no Japão, a recuperação econômica é um tema propício para o momento, portanto, me propus a tratar um pouco do Japão. Porém, ao escrever esse artigo, a minha indignação me levou a encerrá-lo em outro caminho. Assim, acabei discorrendo sobre o que o Japão tem a nos ensinar.

Semelhante ao caso nipônico, são exemplos de desastres econômicos oriundos de causas não financeiras: guerra, revoluções (políticas/religiosas/sociais), acidentes de grandes proporções e outras catástrofes naturais (epidemias, vulcões, terremotos, enchentes e geadas). Em todos esses exemplos, não existe um tratamento pré-moldado para cada caso, visto que, por fugirem dos pressupostos econômicos, são prognosticados de acordo com a situação em questão.

O caso japonês, como muito comentado nos jornais, é uma exceção a grande maioria das catástrofes naturais. O país é preparado para suportar determinados cenários atípicos, visto a grande lista de abalos naturais já ocorridos historicamente na região. O tratamento preventivo começa desde as estruturas prediais até o treinamento dos civis e atendimento de emergência. Mas essa precaução também pode ser vista do ponto de vista econômico.

O governo japonês empregou a cultura poupadora da população para sistematizar meios de socorro financeiro em casos de emergência. Isso explica a folga dos cofres para as várias medidas de facilitação do crédito, empréstimos bancários, investimento em recuperação estrutural e socorro a população.

Japão 11/03/11 e 17/03/11

Isso me lembra um comentário que escutei em roda de conversa: “vi no noticiário o caso de uma rodovia japonesa sair de uma situação precária para o conforto de um tapete, isso no período de uma semana! (..) aqui no Brasil a obra demoraria meses ou até mais de um ano para alcançar a mesma qualidade…”. E não discordo do comentário. Basta presenciar as obras públicas nacionais.

Dessa constatação surgem algumas dúvidas simples e de respostas igualmente simples: Como o Japão chegou a tal condição? Por que o Brasil não conseguiu ainda? O que devemos fazer para chegarmos também?

As respostas chegam a ser em alguns pontos clichê. A primeira está ligada ao fato de o Japão ser um país que planeja, executa e controla. Desde o século XX, o Japão busca o ótimo em longo prazo, com ações contínuas e planos bem delimitados. A disciplina e o rigor cultural mantiveram a conduta até os tempos atuais, possibilitando a nação a sair de uma condição agrária para um sistema de produção altamente agregatório.

Um modelo de recuperação econômica de tal nível não surge em países pouco desenvolvidos por falta de capacidade técnica e reservas. Ambos obtidos pelo Japão devido a sua já citada conduta. Mas vale ressaltar que tal capacidade obtida pode ser implantada em períodos de uma a duas décadas. Esse é o exemplo recente da Coréia e China, cuja filosofia de desenvolvimento planejado nasceu da influência japonesa sobre os demais países asiáticos.

A indignação vem da segunda resposta. O Brasil é um país bem humorado e de boas intenções, apenas. Restam a nossa nação alguns aspectos citados na lógica vencedora japonesa. Não há planejamento e controle, há apenas execução. É um defeito cultural devastador. Sobrevivemos no sistema capitalista, pois começamos a explorar (apenas nos últimos anos) as nossas vantagens naturais. Com esses defeitos e sem as vantagens naturais seriamos, comparativamente falando, irrelevantes no cenário internacional. Infelizmente. Ilustrando o argumento sobre o Brasil e o Japão, é como se em uma corrida com dois competidores fosse concedida para apenas um deles a vantagem de mil metros, e o outro, mesmo nessa desvantagem, ainda ganhar. É um exemplo agressivo, mas verdadeiro. Contudo, ainda podemos corrigir.

A terceira pergunta é um pequeno exercício de lógica. Se implantada parte da conduta japonesa de planejamento, execução e controle (lembrando que os fatores culturais influenciam, assim impedindo um réplica idêntica), arrisco dizer que seríamos uma das maiores, se não, a maior potência mundial.

Agora as demais perguntas carecem de respostas e exprimem a dificuldade de implantarmos tais evoluções: se sabemos o que fazer, como mudamos na prática? De onde virá essa mudança? Quais incentivos deverão ser implantados?

Deixo essas questões para a próxima postagem, enquanto essa fica como exercício de reflexão.

Retomada

abril 8, 2011

Como podem perceber, o blog passou um grande período sem atualizações. Ao contrário do que previ, a minha rotina ficou ainda mais atarefada com o término da graduação. Mais estudos, mais trabalho e ainda mais projetos paralelos.

Meu desejo é não deixar o blog sem atualizações, até mesmo porque alguns leitores já comentaram a falta. Por isso apertei ainda mais o meu tempo para incluir a rotina de atualizações. De volta à ativa, desta vez com certeza.

Inflação em Sete Lagoas

janeiro 20, 2011

O último mês de dezembro apresetou inflação negativa para o preço dos alimentos. Chegando a 47% de redução do valor, como o caso do quiabo.

 

Veja a matéria completa aqui.