O modelo Fleuriet e a dinâmica da gestão financeira.
Nos últimos dias li artigos a respeito do modelo Fleuriet como instrumento de gestão financeira das empresas. Em meu entendimento é uma forma muito prática e eficaz de se organizar as informações contábeis para tomada de decisão. Portanto, trago um pouco da definição desse modelo e de como aplicá-lo.
No modelo Fleuriet as demonstrações financeiras como balanço patrimonial e a demonstração de resultado de exercício são utilizadas para se extrair informações aplicadas nas variáveis do modelo. As informações extraídas, então, são trabalhadas para se encontrar: necessidade de capital de giro (NCG), capital de giro (CG) e saldo em tesouraria (T). Esses são indicadores que, empregados na análise gerencial, servem como avaliação da performance financeira da empresa, o foco do modelo.
Para se empregar o modelo, é comumente sugerido a reclassificação das contas dos demonstrativos contábeis, promovendo uma adequação das sub-contas de acordo com o desenvolvimento das atividades. Essa reclassificação permite uma avaliação do ciclo financeiro da empresa com maior clareza, possibilitando a tomada de decisão financeira de acordo com o ciclo operacional. Comumente, diz-se que o ciclo financeiro é iniciado no desembolso para a compra dos insumos e finaliza no recebimento dos fornecedores, enquanto o operacional inicia-se já na compra. Contudo, muito da estrutura prática dos dois ciclos se comporta de acordo com o setor de atividade e poder de barganha da empresa, portanto, deve-se considerar as especificidades. Em suma, o ciclo financeiro positivo indica a necessidade de recursos adicionais para o desenvolvimento das atividades operacionais, já o negativo revela a disponibilidade de recursos para novas aplicações.
O modelo Fleuriet visa propor embasamento claro para o conjunto de decisões financeiras, trabalhando, assim, a redução da disparidade entre os dois ciclos. Nesse sentido, a literatura sugere a divisão do mesmo em três sub-ciclos. Ciclo de investimento, o qual é o período em que a empresa adéqua sua capacidade de produção em relação ao nível de atividade a ser empreendido, ciclo de exploração, o qual é a necessidade de recursos para a atividade empreendida, variando de acordo o nível de atividade e, por último, o ciclo de operações financeiras, relacionado à estrutura de recursos para o ciclo de investimento e operação, compreendendo operação de capital (longo prazo) e tesouraria (curto prazo).
A reclassificação das contas do BP e DRE segue a divisão pelo tempo e níveis de decisão empresarial (estratégico, operacional e financeiro). Os passivos e ativos circulantes são subdivididos em cíclicos (operacional) e erráticos (financeiros). Já o permanente é definido como a variável estratégica do demonstrativo.
Resumidamente, as contas cíclicas são aquelas relacionadas com o nível de atividade da empresa, caso a empresa produza mais ou menos essa variação terá impacto direto nessas contas, tipicamente operacionais. Em contrapartida, as contas permanentes e não cíclicas são aquelas de longo prazo, voltadas a estratégia da empresa, portanto, o nível de produção atual pode não ter vínculo algum com essas contas. Por fim, as contas financeiras ou erráticas, são aquelas ligadas a decisões financeiras as quais não guardam relação com a estratégia ou nível de atividade da empresa, chamadas de contas de tesouraria. Essa reclassificação permite, então, mensurar as variáveis do modelo funcional de Fleuriet, como o NCG, CG e T.
A necessidade de capital de giro (NCG) compreende a diferença entre as contas cíclicas do ativo e passivo, ou seja, são intimamente ligadas ao ciclo financeiro da empresa. Nesse sentido, a necessidade de capital de giro reflete a falta de uniformidade entre o ciclo operacional e financeiro, portanto, as reservas podem ser uma estratégia para adequar os dois ciclos, seja em estoques, em duplicatas ou outro ativo com conversão em semelhante liquidez. A NCG positiva é, basicamente, o reflexo da necessidade de mais capital próprio ou de terceiros para a continuidade da atividade, já a NCG negativa reflete a sobra de recursos para a execução da atividade.
O capital de giro (CG) mede o capital aplicado em investimentos, composto, em parte, pela NCG. Sua avaliação ocorre através do ativo permanente e o passivo permanente, seu resultado pode ser interpretado das seguintes formas: Positivo indica a utilização de recursos estáveis para a NCG, visto que a fonte de recursos de longo prazo. Já o negativo indica que a empresa tem recursos de curto prazo financiando os de longo prazo, quanto maior o índice, maior o risco de insolvência da empresa.
O saldo em tesouraria (T) é mensurado a partir do confronto das contas erradicas, indicando a gestão de curto prazo da empresa. Altamente operacional, serve como referência nas decisões de curto prazo dos gestores.
Conceitualmente, essas definições formam o modelo Fleuriet, cuja capacidade ainda é pouca explorada no meio empresarial, lógico, expor sua utilização na prática requer um estudo detalhado de caso, nesse sentido, aconselho a busca por artigos que propões tal objetivo. De toda a forma, o meu propósito é elucidar o que é esse modelo, contudo, muito tem para se falar sobre ele, portanto, sugiro aos interessados a leitura do artigo do professor Antônio Dias (UFMG), publicado aqui. Acredito que esse conhecimento é fundamental para os gestores e deve ser amplamente disseminado, pois, infelizmente, ainda há muitas decisões financeiras pouco alinhadas ao ciclo operacional da empresa..




Opa, sumiu, não deixe a peteca cair. Esperamos o retorno!
Olá Daniel! Fico feliz que sentiu a falta. A escassez de postagens tem suas razões. Assumi um setor de controladoria ano passado, o que foi um desafio enorme em minha carreira. Isso tomou tempo, visto que, no mesmo período, cursava uma especialização. Felizmente, agora estou curtindo férias e a oportunidade de por as idéias em ordem.
O mais importante é a novidade. Estarei me mudando para cursar o mestrado. Admito que passar na Anpec não foi molesa. Logo retomarei as atualições e te envio mais detalhes do curso. Abraços!