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O Caso Japonês e o Brasil.

abril 10, 2011

Devido à divulgada calamidade ocorrida no Japão, a recuperação econômica é um tema propício para o momento, portanto, me propus a tratar um pouco do Japão. Porém, ao escrever esse artigo, a minha indignação me levou a encerrá-lo em outro caminho. Assim, acabei discorrendo sobre o que o Japão tem a nos ensinar.

Semelhante ao caso nipônico, são exemplos de desastres econômicos oriundos de causas não financeiras: guerra, revoluções (políticas/religiosas/sociais), acidentes de grandes proporções e outras catástrofes naturais (epidemias, vulcões, terremotos, enchentes e geadas). Em todos esses exemplos, não existe um tratamento pré-moldado para cada caso, visto que, por fugirem dos pressupostos econômicos, são prognosticados de acordo com a situação em questão.

O caso japonês, como muito comentado nos jornais, é uma exceção a grande maioria das catástrofes naturais. O país é preparado para suportar determinados cenários atípicos, visto a grande lista de abalos naturais já ocorridos historicamente na região. O tratamento preventivo começa desde as estruturas prediais até o treinamento dos civis e atendimento de emergência. Mas essa precaução também pode ser vista do ponto de vista econômico.

O governo japonês empregou a cultura poupadora da população para sistematizar meios de socorro financeiro em casos de emergência. Isso explica a folga dos cofres para as várias medidas de facilitação do crédito, empréstimos bancários, investimento em recuperação estrutural e socorro a população.

Japão 11/03/11 e 17/03/11

Isso me lembra um comentário que escutei em roda de conversa: “vi no noticiário o caso de uma rodovia japonesa sair de uma situação precária para o conforto de um tapete, isso no período de uma semana! (..) aqui no Brasil a obra demoraria meses ou até mais de um ano para alcançar a mesma qualidade…”. E não discordo do comentário. Basta presenciar as obras públicas nacionais.

Dessa constatação surgem algumas dúvidas simples e de respostas igualmente simples: Como o Japão chegou a tal condição? Por que o Brasil não conseguiu ainda? O que devemos fazer para chegarmos também?

As respostas chegam a ser em alguns pontos clichê. A primeira está ligada ao fato de o Japão ser um país que planeja, executa e controla. Desde o século XX, o Japão busca o ótimo em longo prazo, com ações contínuas e planos bem delimitados. A disciplina e o rigor cultural mantiveram a conduta até os tempos atuais, possibilitando a nação a sair de uma condição agrária para um sistema de produção altamente agregatório.

Um modelo de recuperação econômica de tal nível não surge em países pouco desenvolvidos por falta de capacidade técnica e reservas. Ambos obtidos pelo Japão devido a sua já citada conduta. Mas vale ressaltar que tal capacidade obtida pode ser implantada em períodos de uma a duas décadas. Esse é o exemplo recente da Coréia e China, cuja filosofia de desenvolvimento planejado nasceu da influência japonesa sobre os demais países asiáticos.

A indignação vem da segunda resposta. O Brasil é um país bem humorado e de boas intenções, apenas. Restam a nossa nação alguns aspectos citados na lógica vencedora japonesa. Não há planejamento e controle, há apenas execução. É um defeito cultural devastador. Sobrevivemos no sistema capitalista, pois começamos a explorar (apenas nos últimos anos) as nossas vantagens naturais. Com esses defeitos e sem as vantagens naturais seriamos, comparativamente falando, irrelevantes no cenário internacional. Infelizmente. Ilustrando o argumento sobre o Brasil e o Japão, é como se em uma corrida com dois competidores fosse concedida para apenas um deles a vantagem de mil metros, e o outro, mesmo nessa desvantagem, ainda ganhar. É um exemplo agressivo, mas verdadeiro. Contudo, ainda podemos corrigir.

A terceira pergunta é um pequeno exercício de lógica. Se implantada parte da conduta japonesa de planejamento, execução e controle (lembrando que os fatores culturais influenciam, assim impedindo um réplica idêntica), arrisco dizer que seríamos uma das maiores, se não, a maior potência mundial.

Agora as demais perguntas carecem de respostas e exprimem a dificuldade de implantarmos tais evoluções: se sabemos o que fazer, como mudamos na prática? De onde virá essa mudança? Quais incentivos deverão ser implantados?

Deixo essas questões para a próxima postagem, enquanto essa fica como exercício de reflexão.

2 Comentários leave one →
  1. abril 22, 2011 18:23

    O Brasil assistiu por decadas a nações destruídas se erguerem e alcançarem o topo. Que China que nada, nações europeias e asiáticas que passam de economias medíocres para grandes potências. Nos iludimos com a oitava posição das economias, baseada em um índice nada esclarecedor e achamos que está tudo bem. Como disse um amigo meu, é o cloro que põe na água para que as pessoas fiquem passivas #risos.

    Que bom o retorno, mas nção suma mais não hein.

    Abraços.

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