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O vilão chamado Desemprego

agosto 10, 2009
 Considerado o problema macroeconômico mais grave a partir do século XX, tornou-se variável fundamental para medida de desempenho da economia real; mudando teorias que antes eram fundamentadas no pleno emprego* do capital produtivo.
 
O desemprego, parte da diferença entre os postos de trabalho e a parcela da população apta ao trabalho. Advindo principalmente, da diferença do crescimento populacional e o crescimento econômico.

*Pleno emprego: uso eficiente da totalidade dos recursos produtivos, descontada uma taxa natural de desemprego.

O Início do desemprego na história.

No longo prazo, a economia mantém um nível de desemprego constante, ou seja, proporcionalmente igual, o que é chamado de desemprego natural. Porém, ainda influenciado pela relação de oferta e demanda de empregos. 

Entre os tipos de desempregos, podem ser destacados:

Desemprego cíclico/conjuntural

No capitalismo é comum a formação de períodos de grande atividade econômica e posterior recessão, definidos como ciclos. Nos casos de condições recessivas da economia, o desemprego é propagado pela crise, agravando-a. 

É o atual estágio da crise mundial, declínio de um ciclo econômico e consequente aumento dos desempregados.  

Desemprego friccional

Decorre do tempo necessário para que o mercado de trabalho se ajuste. Ou seja, do descolamento de funções e procura por novos empregos. 

Desemprego estrutural

Decorrente de mudanças estruturais em certos setores da economia (como ganhos de produtividade do trabalho) que eliminam empregos, sem que haja ao mesmo tempo a criação de novos empregos em outros setores. Como exemplo, a substituição da mão de obra pelos avanços tecnológicos da informática e mecanização da força de trabalho. Este tipo de desemprego existe tanto em países subdesenvolvidos (cujo desemprego é maximizado pela falta de qualificação – capital humano – disponível para suprir a necessidade técnica da evolução do trabalho), quanto nos países desenvolvidos, onde o avanço tecnológico é mais agressivo.

Como se informar

Para entender o cálculo da taxa de desemprego, é necessário distinguir como é classificada a população. Para isso, segue um gráfico:

Clique aqui para visualizar.

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População em Idade Ativa (PIA) – é a população com mais de 15 anos e está dividida em (PEA) e a população ativa não integrada ao mercado de trabalho.

População Economicamente Ativa (PEA) – inclui as pessoas da PIA que estão empregadas e as que estão procurando emprego.

População Ativa não Integrada ao Mercado de Trabalho – inclui: incapacitados para o trabalho, aposentados e pensionistas, estudantes, presos, trabalhadores domésticos e os inativos (que não buscam nem desejam trabalhar).

População Ocupada – PEA menos os desempregados.

Desempregados – aqueles que querem trabalhar e procuram emprego, mas não encontram.

Os indicadores

Para o estudo do desemprego é necessário utilizar referenciais que medem o seu nível. Os indicadores fornecem informações tanto localizadas como a nível regional ou nacional. Porém, não seguem critérios padrões de cálculo. A diferença parte da amostragem, que diverge na área geográfica, separação de PIA/população total e, principalmente, nos critérios de separação entre inativos, ocupados e desempregado.

Exemplo de divergência entre taxas comumente utilizadas:

IBGE – refere-se ao desemprego aberto que inclui as pessoas que procuraram emprego de modo efetivo nos últimos 30 dias e que não exerceram nenhuma ocupação nos últimos sete dias.

DIEESE – leva em consideração também o desemprego oculto, estão incluídas as pessoas que procuraram trabalho nos últimos 12 meses e exercerem algum tipo de atividade considerada de caráter muito precário.

Mensurando o Desemprego

Afirmar que o crescimento econômico não alcançou as expectativas, é o mesmo que dizer que o crescimento não alcançou o seu potencial máximo. Portanto, toda economia tem o seu produto potencial, que é a capacidade produtiva que a economia é capaz de alcançar em seu pleno emprego.

Ao ocorrer a diferença entre o PIB potencial e o PIB real, é evidenciado o hiato do produto. Indicativa de que os fatores, pelo menos em parte, não estão sendo plenamente utilizados, ou seja, há desemprego dos fatores de produção. Uma explicação para o hiato do produto é uma combinação ineficiente de fatores ou uma produtividade abaixo da possível.

Obs: O PIB representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região.

Para a mensuração, é necessário levar em consideração os aspectos populacionais, evolução da produtividade, crescimento do estoque de capital e os ganhos tecnológicos advindo deles. Falando economês:

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Lei de Okum – relação entre hiato do produto e taxa de desemprego: 

PIB potencial –  PIB real = a + b TD

Onde:

a e b são parâmetros que medem a sensibilidade entre o hiato do produto e a taxa de desemprego (TD).

A taxa de desemprego é a relação entre a número de desempregados (D) e a população economicamente ativa (PEA).

Taxa de desemprego (TD) = D/PEA.

Fonte: Economia Brasileira Contemporânea,  Editora Atlas – Amaury Patrick Gremaud, Marco Antonio Sandoval de Vasconcellos e Marco Antonio Sandoval de Vasconcellos

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A Situação do Brasil

No Brasil, a taxa de participação da força de trabalho, que é a relação entre a PEA e a PIA, vem decrescendo no decorrer dos últimos anos. No início da década de 80, se situava próxima dos 53% enquanto na década de 90, em torno de 61%. Esse aumento se deve, em parte, ao ingresso progressivo da mulher, dos estudantes e reingresso de idosos.

Carteira de trabalho brasileiraContudo, a economia informal, que são as atividades que não respeitam as legislações fiscais e trabalhistas, vem caminhando a ritmo ainda preocupante. Outro agravante é a migração de mão de obra de uma região para outra em busca de trabalho. Como é o caso do Nordeste para o Sul e Sudeste – reflexo da má distribuição de renda nacional. Como solução, está na pauta das políticas governamentais o incentivo ao desenvolvimento através de  reformas educacionais e, também, reformas trabalhistas e sindicais.  

O desemprego deve ser considerado sintoma de deficiências nas políticas macroeconômicas adotadas e, como tal, deve ser tratado como um problema e não o gerador de crises sociais. Cabe, então, aos governantes a escolha de medidas de longo prazo que tragam empregos ou que pelo menos não o intensifiquem.

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